Holmes C e cols – University of Southampton, UK
OBJETIVOS: Avaliar os efeitos da terapia com um agente anti-amilóide (Aβ42) na resposta imune, remoção de placas e desfechos clínicos.
DELINEAMENTO: Ensaio clínico duplo-cego randomizado de fase 1 com duração de 84 semanas. Extensão do estudo com coorte de 6 anos, em que os pacientes imunizados foram comparados a controles pareados não imunizados.
PARTICIPANTES: pacientes com Alzheimer provável (n=80) em fase leve a moderada (MEEM 14-26).
INTERVENÇÃO: imunização com o peptídeo Aβ42 (AN1792) em duas concentrações (50 e 225 mcg) ou placebo.
MEDIDAS E DESFECHOS: Avaliação cognitiva realizada com ADAS-cog e MEEM, avaliação funcional com DAD e títulos de anticorpos anti-AN1792. Em parte dos casos foi obtido exame anátomo-patológico post mortem para avaliar carga amilóide (porcentagem da área cortical com depósitos amilóides) e evidência histológica de remoção de placas mensurada de forma semi-quantitativa.
RESULTADOS: Na primeira fase (ensaio clínico) as medidas de funcionalidade e cognição não revelaram diferença entre o grupo imunizado e o grupo placebo. Apesar de variação considerável na carga amilóide e no grau de remoção de placas nos pacientes imunizados, foi possível constatar uma relação entre a remoção de placas e a resposta antigênica (Kruskal-Wallis p=0,02). Na segunda etapa (coorte de seis anos) não houve diferença entre os dois grupos quanto ao tempo de progressão para demência grave (RR 1,18; IC 95% 0,45–3,11; p=0,73) ou sobrevida (RR 0,93; IC 95%; 0,43–3,11; p=0,86). O exame histopatológico post mortem revelou que pacientes imunizados apresentavam carga amilóide menor do que os pacientes do grupo controle (2,1% vs 5,1%; p=0,02).
CONCLUSÃO: A imunização com Aβ42 mostrou-se efetiva no clareamento de placas amilóides, porém não impediu a neurodegeneração progressiva e a progressão da doença até a sua fase final. O número limitado de pacientes impede a detecção de pequenas diferenças entre os dois grupos, mas esses resultados preliminares são suficientes para colocar em dúvida a chamada hipótese amilóide, na qual atualmente se baseiam as principais linhas de pesquisa para o tratamento da doença de Alzheimer.
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