Uso de Oxibutinina em Idosas com Défict Cognitivo

Lackner T.E. e cols – University of Minnesota, Minneapolis
JAGS 2008;56(5):862-870

OBJETIVO: Determinar os efeitos cognitivos e a tolerabilidade da oxibutinina de liberação lenta em idosas com déficit cognitivo.
DESENHO: Ensaio clínico duplo-cego randomizado.
AMBIENTE: Vinte instituições de longa permanência.
PARTICIPANTES: Cinqüenta mulheres ³ 65 anos com incontinência urinária de urgência e déficit cognitivo.
INTERVENÇÃO: Oxibutinina de liberação lenta 5mg 1x/dia ou placebo por 4 semanas.
MEDIDAS: Incidência de delirium utilizando o Confusion Assessment Method (CAM), cognição nos dias 1, 3, 7, 14, 21 e 28 utilizando o Mini-Mental State Examination (MMSE) e a Severe Impairment Battery (SIB), nível de agitação utilizando a Brief Agitation Rating Scale, eventos adversos, taxa de suspensão do tratamento, incidência de quedas e atividade anticolinérgica sérica.
RESULTADOS: A idade média das participantes foi de 88,6 anos (± 6,2) e o escore médio no MMSE foi 14.5 (±4,3). Noventa e seis por cento das pacientes que receberam oxibutinina (n=26) e 92% das pacientes que receberam placebo (n=24) completaram o tratamento (P=.50). As diferenças de alteração do CAM comparativamente aos valores de base foram equivalentes em todos os pontos entre os grupos oxibutinina e placebo. Nenhum episódio de delirium foi registrado nos dois grupos. Uma paciente recebendo oxibutinina foi retirada do estudo por retenção urinária, que resolveu sem necessidade de tratamento. Eventos adversos leves ocorreram em 38,5% dos participantes do grupo oxibutinina e 37,5% no grupo placebo (P=.94).
CONCLUSÕES: O tratamento de curto prazo utilizando oxibutinina de liberação lenta 5mg/dia mostrou-se seguro e bem tolerado, sem ocorrência de delirium, em idosas institucionalizadas com demência. Estudos futuros deverão avaliar os efeitos de diferentes dosagens e o tratamento de longo prazo.

 

 

 

2 Respostas

  1. O fato desse estudo se apresentar como o primeiro a observar a ausência de efeitos cognitivos em decorrência do uso de oxibutinina entre idosas institucionalizadas chama a atenção. Talvez este não seja um efeito adverso do qual se precise ter tanto receio quanto outros trabalhos sugeriam. Com um olhar mais cuidadoso, no entanto, fica claro que futuras análises ainda serão necessárias para uma conclusão mais definitiva. Afinal, é bastante limitada a possibilidade de generalização de resultados obtidos a partir de um estudo que de 2530 pacientes acompanhou apenas 50 (1,98% da amostra original). Sabe-se também que o CAM e MEEM não foram testes desenhados para seguimento cognitivo, o que compromete as conclusões a que se chegam. Por fim, embora não tenham sido notados efeitos adversos importantes na dose de oxibutinina utilizada, não são apresentados dados quanto aos efeitos terapêuticos esperados. Assim, sabemos que a droga na forma de apresentação e dose propostas parece não trazer prejuízos à população específica estudada, mas ficamos sem saber se ela traz benefícios.

  2. De fato, compartilho plenamente da impressão do colega Thiago. O primeiro aspecto a chamar a atenção é o grande número de exclusões, resultando num “n” pequeno. Outro dado interessante foi a exclusão dos usuários de anticolinesterásicos (sensata do ponto de vista farmacológico, mas não necessariamente no âmbito clínico global, há estudos a esse respeito). De resto, fica claro que o objetivo referia-se a segurança e tolerabilidade, mas o questionamento sobre a eficácia é irresistível! A esperar o próximo paper com esses desfechos. Caso não saia, será o caso de se pensar num viés de publicação contra dados frustrantes…

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