Profilaxia para Depressão Após AVC

Robinson RG e cols – University of Iowa

JAMA 2008;299(20):2391-2400

 

OBJETIVOS: Determinar se a administração de escitalopram ou realização de psicoterapia diminui o número de episódios de depressão após um AVC.

DESENHO: Ensaio clínico randomizado, multicêntrico, sem participação da indústria farmacêutica.

AMBIENTE: Ambulatorial em três centros norte-americanos.

PARTICIPANTES: 176 pacientes entre 50 e 90 anos (média 64,2 anos) com AVC incidente há menos de 3 meses, sem depressão no momento da inclusão.

INTERVENÇÃO: Três grupos submetidos a um dos seguintes tratamentos por 12 meses: (1) escitalopram (10mg para pacientes <65 anos; 5mg para pacientes ³ 65 anos), (2) placebo ou (3) psicoterapia para resolução de problemas (18 sessões).

DESFECHOS: O desfecho primário foi definido como desenvolvimento de depressão maior ou menor nos 12 meses de seguimento.

MEDIDAS: Entrevista estruturada do DSM-IV, escala de Hamilton para depressão e ansiedade aplicados a cada 3 meses por examinadores cegos para o tratamento.

RESULTADOS: Em análise ajustada para história de transtorno de humor prévio, os participantes que receberam placebo apresentaram probabilidade maior de desenvolver depressão quando comparados àqueles que receberam escitalopram ou psicoterapia. NNT = 7,2 para escitalopram e 9,1 para psicoterapia. Na análise por intenção de tratamento conservadora (contando participantes perdidos como casos de depressão), o tratamento com escitalopram mantém significância estatística (HR 2,2; IC95% 1,2-3,9) e a psicoterapia perde significância (HR 1,1; IC95% 0,8-1,5). Não foram detectadas, entre os três grupos, diferenças nas taxas de hospitalização ou de eventos adversos.

CONCLUSÕES: Em pacientes com AVC há menos de 3 meses, a administração de escitalopram mostrou-se efetiva na prevenção de episódios depressivos ao longo de um ano.

Uma resposta

  1. Esse estudo randomizado calculou o poder da amostra com base na incidência de depressão no grupo placebo de 35% e no escitalopram de 10% com poder de 80%. As incidências de fato encontradas foram placebo 22%, escitalopram 8,5%, psicoterapia 11%. Dessa forma, o poder foi superestimado. O resultado foi positivo porém o número absuluto de pts com depressão foi pequeno Pla 11+2 pts, esc 3+2 pts, psico 5+2, total 25 pacientes. Há necessidade de pelo menos 10 desfechos para cada variável (no estudo 3 grupos, 30 desfechos). Assim podemos dizer que é um erro tipo 1 com p significativo. Com os dados apresentados não é possivel afirmar que a intervenção proposta reduz depressão.

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