Tratamento da Disfagia Orofaríngea Após AVC

Foley N e cols – Lawson Health Research Institute, Canada

Age and Ageing 2008;37:258-264

 

OBJETIVO: Avaliar a eficácia de uma ampla gama de intervenções em pacientes com disfagia orofaríngea após AVC.

DESENHO: Revisão sistemática de 15 ensaios clínicos randomizados.

PACIENTES: As populações estudadas foram constituídas tipicamente por idosos (idade média de 67 a 86 anos) com AVC recente determinando disfagia diagnosticada por avaliação clínica ou videofluoroscopia.

INTERVENÇÃO: Quatro estudos avaliaram modificação de textura da dieta. Três estudos avaliaram administração de dieta por sonda nasogástrica versus gastrostomia. Dois estudos compararam atendimento regular a programas intensivos realizados por fonoaudiólogos (incluindo exercícios de deglutição, técnicas compensatórias e modificação de dieta). O restante dos estudos avaliou intervenções incomuns na prática clínica: estímulo térmico (n=2), estímulo olfatório (n=1), farmacoterapia com nifedipina (n=1), descontaminação do trato digestivo (n=1) e hidratação subcutânea (n=1).

DESFECHOS: A maior parte dos estudos apresentou como desfechos incidência de pneumonia e mortalidade.

RESULTADOS: O uso de sonda nasogástrica, apesar dos inconvenientes práticos, não parece estar associado a uma maior mortalidade ou incidência de pneumonia quando comparado a gastrostomia. Programas intensivos e multifacetados administrados por fonoaudiólogos reduzem a chance de pneumonia na fase aguda do AVC. O número restrito de estudos, geralmente com pequenas amostras e grande heterogeneidade de intervenções, impossibilita outras conclusões.

CONCLUSÕES: Grande parte das intervenções para disfagia após AVC são baseadas em conhecimentos fisiológicos e na experiência clínica. Não há evidência de efetividade para muitas intervenções atualmente utilizadas. A importância dessa condição clínica impõe a necessidade de estudos com qualidade para identificar as intervenções e estratégias mais efetivas.

Uma resposta

  1. Realmente a não padronização dos trabalhos atrapalha a interpretação dos resultados, mas acho interessante chamar atenção para este tema frequente e relevante para geriatria.
    A incidência de disfagia pós-avc é grande, varia de 13 até 80%,a depender do método utilizado (endoscopia com fibra optica, videodeglutograma, escalas clínicas), os idosos( > 75 anos), diabéticos são mais acometidos.
    Enquanto não há um consenso sobre o melhor método de prevenção de BCP pós- avc, vale continuar com tudo que há disponível( Av Fono, orientações a família, sondas s/n).
    Acho devemos otimizar a busca por pacientes de risco, já existe testes clínicos simples com boa acurácia para detectar aspiração (teste com copo d’agua 50ml, 10 ml por vez e monitorização da Sat O2, queda de 2% denota aspiração).
    Em relação as medicações, acabou de sair um trabalho no Jags( Junho) sobre o efeito do Cilostazol e deglutição em pacientes pós-avc, não li ainda…Acho que também já foi estudado IECA e deglutição.
    Abraços,
    Lucas

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