Antipsicóticos em Pacientes com Doença de Alzheimer – Primeira Fase do Estudo CATIE-AD

Sultzer AD e cols – National Institute of Mental Health

Am J Psychiatry 2008;165:844-54

 

OBJETIVOS: Avaliar a efetividade dos antipsicóticos atípicos no controle de sintomas comportamentais e psicológicos da demência (SCPD).

DELINEAMENTO: Ensaio clínico duplo-cego randomizado.

AMBIENTE: Ambulatorial em 42 centros norte-americanos.

PARTICIPANTES: Pacientes com doença de Alzheimer provável (n=421) e SCPD definidos como: psicose, agitação ou agressividade de ocorrência feqüente.

INTERVENÇÃO: Um dos tratamentos foi administrado por até 12 semanas: olanzapina 2,5 ou 5mg, quetiapina 25 ou 50mg, risperidona 0,5 ou 1mg ou placebo. A interrupção era possível por falta de efetividade ou evento adverso.

MEDIDAS: Para avaliação dos SCPD foram aplicados o Neuropsychiatric Inventory (NPI) e a Brief Psychiatric Rating Scale (BPRS). A impressão clínica geral foi avaliada através do Clinical Global Impression of Change (CGIC).

RESULTADOS: A duração média do tratamento foi de 7,1 semanas e o principal motivo para suspensão foi “eficácia insuficiente”. As doses médias utilizadas foram olanzapina 5,5mg/d, quetiapina 56,5mg/d e risperidona 1mg/d. Comparando-se os valores de base com os da última observação, houve melhora no NPI de pacientes que receberam olanzapina (-7,0 pontos) e risperidona (-11,6 pontos). Analisando sintomas individuais (BPRS), risperidona e olanzapina promoveram melhora de hostilidade, agressão, desconfiança e dificuldade de cooperação. Apenas risperidona promoveu melhora de sintomas psicóticos. Apenas pacientes que receberam risperidona apresentaram melhora clínica global (CGIC). Nenhum benefício em controle de sintomas foi observado com a quetiapina, apesar de o efeito sedativo ter sido detectado no estudo. Pacientes que receberam olanzapina apresentaram piora de funcionalidade e de sintomas depressivos avaliados pela BPRS.

CONCLUSÕES: Antipsicóticos atípicos são efetivos no controle de SCPD, particularmente naqueles com hostilidade, agressão, dificuldade de cooperação e psicose. A alta taxa de suspensão nas primeiras semanas indica expectativas acima do real benefício das drogas. Na comparação sem interferência da indústria farmacêutica, a risperidona mostrou o perfil mais favorável.

Uma resposta

  1. O estudo é muito interessante na nossa prática diária, porém algumas questões não podem ser esquecidas: senti falta de um grupo controle só com medidas comportamentais mais profundas (está descrito na análise que foram dadas informações comportamentais básicas) ou então um grupo placebo e outro placebo + medidas comportamentais. Vale ressaltar também que as alterações que resultaram do uso do antipsicótico foram de magnitude pequena, sem contar que não trouxeram benefício em qualidade de vida nem em tempo gasto que o cuidador dispendia para o doente. Vale lembrar os inúmeros riscos demonstrados em estudos retrospectivos com antipsicóticos…Vamos ver os resultados em longo prazo….

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