Prevenção Secundária de Acidente Vascular Cerebral – Resultados do Estudo PRoFESS

Sacco RL e cols – NEJM Online First – August 2008

 

INTRODUÇÃO: Dois grandes ensaios clínicos (ESPS2 e ESPRIT) demonstraram claro benefício do dipiridamol de liberação lenta associado ao AAS na prevenção secundária de AVC, quando comparados ao AAS isoladamente. Por outro lado, no estudo CAPRIE o clopidogrel não se mostrou superior ao AAS na prevenção secundária de AVC. Com base em comparações indiretas, as diretrizes da AHA/ASA de 2008 recomendaram a combinação de dipiridamol e AAS como estratégia preferencial na prevenção secundária de AVC.

OBJETIVOS: Avaliar, em comparação direta, duas estratégias antiagregantes na prevenção secundária de AVC: clopidogrel ou associação de dipiridamol com AAS.

DELINEAMENTO: Ensaio clínico duplo-cego randomizado.

AMBIENTE: 695 centros em 35 países, incluindo o Brasil.

PARTICIPANTES: 20.333 pacientes com AVC isquêmico recente (< 90 dias) e idade ≥ 55 anos (média 66,1 anos).

INTERVENÇÃO: AAS/dipiridamol de liberação lenta 25/200mg 12/12h ou clopidogrel 75 mg/dia por até 4,4 anos (duração média 2,5 anos).

DESFECHOS: O desfecho primário foi definido como AVC recorrente de qualquer tipo e o desfecho secundário foi composto pela combinação de infarto do miocárdio, AVC e morte por causa cardiovascular.

 RESULTADOS: O desfecho primário (AVC) ocorreu em 1814 pacientes, sem diferença detectável entre os dois grupos: 9% no grupo dipiridamol/AAS e 8,8% no grupo clopidogrel (HR 1,01; IC 95% 0,92 a 1,11). No desfecho secundário (índice composto) também não foi observada diferença entre os dois grupos (0,99; IC 95% 0,92 a 1,07). Um maior número de eventos hemorrágicos graves ocorreu no grupo que recebeu dipiridamol/AAS (HR 1,15; IC95% 1,0 a 1,32). Eventos adversos determinantes de interrupção da droga também foram mais comuns no grupo dipiridamol/AAS (16,4 vs 10,6%).

CONCLUSÃO: Nenhuma das duas estratégias antiagregantes foi superior à outra na prevenção secundária de AVC. Pacientes que receberam dipiridamol/AAS tiveram maior risco de sangramento grave e maior chance de interromper o tratamento por eventos adversos. Os resultados desse estudo ilustram bem as dificuldades encontradas na comparação indireta entre agentes farmacológicos e mostram a necessidade de comparação direta por meio de ensaios clínicos.

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